magine o orçamento previsto para Sorocaba em 2021, cerca de R$ 3 bilhões, multiplicado por cinco e concentrado em uma pequena área da cidade. Esse é o valor aproximado de cerca de 300 aeronaves que estavam hangaradas ou realizando manutenção na última quinta-feira (1) no Aeroporto Estadual de Sorocaba — Bertram Luiz Leupolz em uma estimativa feita por empresários e especialistas ouvidos pela reportagem. O valor de todos os aviões, juntos, se aproximava de R$ 15 bilhões.

Não é à toa que o Aeroporto de Sorocaba é o maior em manutenção de aeronaves executivas na América do Sul e um dos maiores do mundo nessa especialidade. São mais de 50 empresas atuando, somente dentro do aeroporto. Ao sul, mais perto da Vila Angélica, ficam as empresas privadas, ligadas à Associação dos Proprietários, Permissionários e Operadores de Hangares do Aeroporto de Sorocaba (Aprohapas). São os desbravadores financeiros do Aeroporto de Sorocaba, os primeiros investidores que transformaram o local na potência econômica de hoje.

A primeira empresa é a autorizada da fabricante suíça de aeronaves Pilatus Aircraft. A Synerjet ocupa quatro hangares e é especializada na manutenção da Pilatus. Entre os 12 aviões hangarados e aguardando os reparos ou manutenção de rotina, uma aeronave da Azul Linha Aéreas. O avião de pequeno porte faz parte da nova estratégia de transporte regional da gigante nacional de transporte aéreo comercial.

“É trabalho 24 horas. A aviação não pode parar”, comenta o empresário Paulo Oliveira, piloto de avião desde 1985, nosso guia entre as 36 empresas que atuam na área privada do aeroporto. Ele conta que existem procedimentos complexos na manutenção das aeronaves, cujos mecânicos têm responsabilidade civil sobre seus trabalhos. Há uma hierarquia na realização da revisão, que começa no mecânico, passa pelo inspetor e termina no chefe da mecânica ou da oficina. “Nunca passa por menos de três pessoas”, comenta. Os profissionais ainda assinam um documento, uma espécie de termo de responsabilidade sobre o serviço executado. Uma retífica de motor ou turbina pode custar até U$ 250 mil, mais de R$ 1,2 milhão. Isso para as aeronaves hangaradas naquele momento.